sábado, 13 de outubro de 2012

Não furtarás...







 “Não furtarás”

           Vamos agora refletir sobre o sétimo mandamento, que se resumem em duas palavras: “Não furtarás”. Poderíamos nos perguntar do porquê desse mandamento, afinal, um povo que estava a fugir da escravidão do Egito precisa de um mandamento desse? Todos viviam no deserto sem grandes posses, qual o sentido desse mandamento?
Parece não muito claro a primeira vista, ou é muito mais fácil interpretá-lo no sentido individual, que é a leitura mais comum dessa lei, porém o seu intuito é evitar em primeiro lugar o roubo social, o roubo do povo! Para que a nova sociedade que irá nascer daquele povo que saiu da casa da escravidão não copie o modela daquele povo egípcio. Que estava baseado num sistema de roubo e acumulação por parte do faraó, de sua família e funcionários.
          Pois, como nos lembra a leitura de 1Sm8, 11-18, é direito do rei o roubo! E como nos lembra Shakespeare, num país onde os magistrados roubam, roubar é licito! Ao combater a prática do roubo social o mandamento também está a combater a sua difusão entre os indivíduos e a construir uma sociedade justa e fraterna.
         Se formos ver a prática de Jesus, veremos que a mesma é o cumprimento desse mandamento. Ele condena o acumulo (Lc 12,13-21). Condena os doutores da lei que roubam as viúvas (Mc 12,38-40). Os fariseus por serem amigos do dinheiro (Lc 16,14) e nos diz claramente que não podemos servir a dois senhores (Mt 6,24). Ele retoma o grande ideal do povo que caminhava no deserto, que era o de construir uma sociedade baseada na partilha e na propriedade comunitária.
         Por isso, Ele nos pede para perdoamos as dívidas (Mt 6,12), anuncia o ano da graça do Senhor (Lc 4,19), proclama de bem aventurados os pobres (Lc 6,20) e alerta aos ricos que acumulam: “Mas, aí de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação! Ai de vós, que agora estais saciados, porque tereis fome! Ai de vós, que agora rides, porque conhecereis o luto e as lágrimas! Ai de vós, quando todos vos bendisserem, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas.” (Lc 6, 24-26)
        Ele demonstra o seu grande senso de justiça e sua opção clara pelos pobres, pois estes não têm nem onde reclinar a sua cabeça a sim como Ele (Lc 9,58). Agora nos fica a grande questão: E hoje, como aplicaríamos este mandamento? Qual a sua relevância para nossos dias? Ou será que ainda é válido? Meus queridos amigos, infelizmente ao olharmos em nossa volta, veremos o quanto ainda precisamos aprender com o povo de Deus que caminhou no deserto e nos deixou este mandamento. Ao abrir qualquer jornal lemos a grande corrupção que está se generalizando, desde os ricos e poderosos até aos pequenos comerciantes e funcionários. Enquanto muitos roubam, milhares de pessoas morrem de fome, de doenças por falta de medicação e assistência. Temos que dar um basta nisso se queremos de fato ser cristão! O cristão, discípulo de Jesus, não pode compactuar com essa lógica do roubo, pois quem rouba 1 milhão ou 1 real está caindo na mesma dinâmica. Comecemos por nós, a não nos deixarmos guiar pelo canto da sereia, de querer ter além do necessário para se viver bem. Temos que lutar para que todos tenham vida e a tenham em plenitude! Que o Deus da vida nos abençoe e nos ilumine para sermos verdadeiros discípulos-missionários do Evangelho de Cristo!

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